Piloto automático

 No automático…


Quantos dias treinamos para ficarmos hábeis para uma atividade? Lembro da ansiedade de aprender a pedalar, escrever, ler, dirigir, foram horas intensas de treino para executar partes dessas atividades até finalmente me sentir segura a fazer cada uma delas sem supervisão. 

Pensar em executar cada movimento era um nova sensação, o novo tomava conta, eu não tinha domínio da atividade e muito menos de suas consequências, apenas das possibilidades de erros como ler uma palavra errada, afogar o carro ou me perder em um caminho que nunca tomei. Esse era o desafio, aprender a fazer algo com total confiança a ponto dê não me abalar com imprevistos. 

Me dava conta que era necessário vários pequenos treinos para uma pequena tarefa,

se algo der errado, se acalme, se comunique, procure ajuda, repita o procedimento. Uma infinidade de vezes até que você se esquece que era difícil, outra coisa toma lugar, talvez a pressa de chegar a tempo, o ritmo do dia, a próxima tarefa.

Quando eu me dei conta, os anos se passaram e nada daquilo era novo. Antes você era aprendiz agora você é professor. O que era um desafio se torna rotina, lazer, enfim, faz parte do seu dia. Logo, tudo é tão corriqueiro que o processo se perde e eu comecei a dar atenção a outras relevâncias. Como as horas passaram rapidamente? Que julho se aproxima de novo? Que os cabelos estão embranquecidos? Que os sobrinhos estão mais velhos? E quando foi que tudo isso aconteceu? 

Então, veio a sensação os dias passam e eu estava cumprindo etapas, sempre terminando uma e me preparando para à próxima, me dei conta. Somos engolidos pelo rotina e treinados para ficar perfeitos para ela, mas pouco treinados para o outro lado, para aproveitar o melhor que a vida pode te proporcionar. Como desliga esse botão? Como eu fico menos sobre controle de ser perfeita, de ser autossuficiente, de executar tudo, para uma tarefa, agora é hora de ficar comigo, de aprender a desligar o botão do piloto automático e sofrer a severa consequências e estar aqui participando de tudo. 

Esses são grandes questionamentos que atormentam pessoas na vida adulta, equilibrar vida profissional e vida pessoal. A grande questão é que elas não se separam, é um fato somos educados a desenvolver uma vida profissional com perfeição. 

Mas socialmente negligenciamos a pensar em nosso lazer, saúde, alimentação e descanso. Por vezes é um privilégio pensar em tais coisas, mas deveria ser essencial. A sociedade sofreu grandes mudanças marcantes, ainda aguardo a próxima virada coletiva que essa será a ênfase. Até lá, a importância de não negligenciar os seus próprios processos pessoais deveria estar em alta.

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